Empresário
e sócio-fundador do Espaço da Audição afirma que ambientes profissionais
saudáveis ajudam a reduzir o estresse, fortalecer o engajamento e melhorar os
resultados das empresas
Segundo Gonçalves,
empresas que mantêm seus funcionários permanentemente sob pressão, insegurança
ou falta de reconhecimento podem comprometer o rendimento das equipes. Nessas
condições, parte da energia dos profissionais é direcionada para lidar com conflitos,
medo e desorganização, reduzindo a capacidade de criar, solucionar problemas e
atender bem os clientes.
Para o empresário,
promover o bem-estar não significa apenas oferecer benefícios ou tornar o
espaço físico mais agradável. A iniciativa também envolve estabelecer processos
organizados, disponibilizar ferramentas adequadas, definir responsabilidades,
manter uma comunicação eficiente e construir relações baseadas no respeito.
“É muito difícil esperar
alta performance de uma pessoa que trabalha permanentemente sob pressão,
insegurança ou em um ambiente onde não se sente valorizada. Pessoas que estão
bem tendem a colaborar mais, pensar melhor e entregar melhores resultados”, afirma
Claudio Gonçalves.
Ambiente humanizado
também exige responsabilidade
Na avaliação do
sócio-fundador do Espaço da Audição, a construção de um ambiente profissional
humanizado não elimina a necessidade de metas, responsabilidades e cobranças. O
diferencial está na forma como esses fatores são conduzidos pela organização e
por suas lideranças.
Entre as ações que podem
contribuir para um ambiente mais saudável estão a comunicação transparente, a
escuta dos colaboradores, o reconhecimento das boas entregas e a oferta de
oportunidades de desenvolvimento. Gonçalves também considera fundamental esclarecer
o papel de cada profissional dentro da empresa.
Outro aspecto relevante é
a criação de um espaço no qual os funcionários possam apresentar dificuldades
ou admitir erros sem medo de julgamentos imediatos. De acordo com o empresário,
quando existe receio de comunicar problemas, as falhas não deixam de existir,
mas permanecem ocultas até se tornarem maiores.
“Humanizar uma empresa é
conseguir equilibrar duas questões que, algumas vezes, são tratadas como
opostas: cuidar das pessoas e cobrar resultados. As melhores culturas
organizacionais conseguem fazer as duas coisas”, ressalta.
Liderança exerce
influência sobre o estresse das equipes
O comportamento dos
gestores também pode interferir diretamente na qualidade de vida dos
funcionários. Líderes ansiosos, desorganizados ou que alteram constantemente as
prioridades tendem a transmitir insegurança e pressão para toda a equipe.
Para Claudio Gonçalves,
reduzir o estresse no ambiente corporativo não significa necessariamente
diminuir o volume de trabalho, mas proporcionar mais clareza sobre as tarefas e
os objetivos. Quando o profissional conhece as prioridades, compreende o que se
espera dele, recebe feedback e possui autonomia, parte da tensão desnecessária
tende a ser reduzida.
O exemplo apresentado
pelos gestores também deve estar alinhado ao discurso institucional. Segundo o
empresário, uma organização perde credibilidade ao falar sobre qualidade de
vida enquanto mantém uma cultura na qual os funcionários precisam estar disponíveis
durante todo o tempo ou qualquer erro se transforma em uma crise.
“Liderança não é apenas
cobrar o resultado no final do mês. É criar as condições para que as pessoas
consigam alcançar esse resultado. Um dos desafios da liderança moderna é ser
exigente sem deixar de ser humana”, explica.
Investimento pode
diminuir a rotatividade
As políticas de bem-estar
também podem ajudar as empresas a reduzir a rotatividade e aumentar o
engajamento profissional. No entanto, Gonçalves alerta que essas iniciativas
não devem ser tratadas apenas como ações de marketing interno.
A instalação de áreas de
lazer ou a concessão de benefícios, por exemplo, pode ter efeito limitado
quando os funcionários não confiam na liderança, enfrentam um ambiente tóxico
ou não compreendem os objetivos da empresa.
A decisão de permanecer
em uma organização envolve fatores como remuneração, reconhecimento,
oportunidades de crescimento, propósito, desenvolvimento profissional,
relacionamentos e qualidade do ambiente. Para o empresário, embora o salário
seja essencial para atrair profissionais, ele não é suficiente para garantir o
envolvimento das equipes.
“Quando uma pessoa
percebe que está crescendo profissionalmente, que seu trabalho tem importância
e que existe respeito nas relações, cria-se um vínculo muito mais forte com a
organização”, observa.
Além dos efeitos sobre o
clima interno, a retenção de talentos pode representar uma economia para as
empresas. A saída de um profissional qualificado implica perda de conhecimento
e gera custos com recrutamento, treinamento e adaptação de um novo funcionário.
Nesse contexto, Claudio
Gonçalves avalia que investir no bem-estar das equipes também é uma forma de
preservar talentos, manter o conhecimento dentro da organização e proteger os
resultados do negócio.
